Sair da pobreza, da guerra, da perseguição politica e da
fome é o sonho de qualquer cidadão em qualquer tempo. Imagine no século XIX em
uma Europa já sacudida pelas convulsões politicas, sociais e econômicas onde a
cada dia que passava o trabalho ficava mais escasso e a exploração gerada pelo
processo de industrialização aumentava de modo avassalador.
O melhor para qualquer cidadão da classe subalterna[1]e sua
família era sair em fuga e ir buscar um novo lugar onde pudesse resgatar sua
dignidade. Então surgem agentes de governos dos outros países fora do continente
vendendo o sonho de prosperidade, alimentação farta e trabalho digno. É a verdadeira
imagem do “PARAÍSO”, que as propagandas de incentivo a imigração para a América
do Sul cunhavam na Europa do final do século XIX e inicio do XX.
O Rio de Janeiro, a “Cidade Paraíso”, poderia com certeza fazer
os imigrantes europeus sonharem ao ouvirem sobre a cidade. Mas o chegar ao
Porto à realidade era outra, o “Paraíso” se revela com as doenças e pestes. No
ano de 1895 um navio vindo da Itália com 337 tripulantes ao chegar ao Porto do
Rio de Janeiro, possuiu o número de 237 mortes por conta de uma contaminação de
febre amarela. A seguir duas versões da imagem que a época denotava a odisseia dos imigrantes:
As situações faziam com outros países da América do Sul,
fizessem campanhas contra a vinda os europeus para o Brasil como os argentinos
que indicavam o Brasil como um foco de doenças e epidemias, como demonstra a imagem a seguir:
A cidade cheia de atrativos para a morte, as doenças e o
medo dos estrangeiros, precisaria ser ajustada aos modelos civilizatórios do
mundo onde já não cabiam espaços para cortiços e até mesmo uma “Pequena África”
(nos bairros da Saúde e Gamboa). Medidas urbanísticas foram realizadas, como a
derrubada de cortiços, e profiláticas marítimas também, como uma melhor
definição dos protocolos sanitários para a recepção de navios e imigrantes. A seguir uma caricatura das medidas sanitárias tomadas por Oswaldo Cruz:
Se a capital não era o “Paraíso”, a Ilha das Flores poderia ser
vista como tal. Como um refúgio, ainda que passageiro, que possibilitava o
primeiro contato com a cultura brasileira. Nada melhor do que aproveitar a
natureza e as águas ainda banháveis nessa transição do século!
Tumulo dos Estrangeiros In. 1904 - A Revolta da Vacina. A
maior Batalha do Rio - Cadernos da Comunicação Série Memória Vol. 16 Ed. Secretaria Especial de Comunicação Social
/ Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2006.
Reforma Urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de
Janeiro. In: DELGADO, Lucilia de Almeida Neves & FERREIRA, Jorge (org). O
Brasil Republicano. O tempo do liberalismo excludente. Da Proclamação da
Republica a Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: 2003.
[1]
Termo cunhado por E. P. Thompson. THOMPSON, E.P. A formação da classe operária:
A árvore da liberdade. 2º ed. Tradução Denise Bottmann, Rio de Janeiro, Paz e
Terra, 1987.




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