domingo, 5 de julho de 2015

Paraíso para os Imigrantes? O Rio ou a Ilha das Flores?


Sair da pobreza, da guerra, da perseguição politica e da fome é o sonho de qualquer cidadão em qualquer tempo. Imagine no século XIX em uma Europa já sacudida pelas convulsões politicas, sociais e econômicas onde a cada dia que passava o trabalho ficava mais escasso e a exploração gerada pelo processo de industrialização aumentava de modo avassalador.

O melhor para qualquer cidadão da classe subalterna[1]e sua família era sair em fuga e ir buscar um novo lugar onde pudesse resgatar sua dignidade. Então surgem agentes de governos dos outros países fora do continente vendendo o sonho de prosperidade, alimentação farta e trabalho digno. É a verdadeira imagem do “PARAÍSO”, que as propagandas de incentivo a imigração para a América do Sul cunhavam na Europa do final do século XIX e inicio do XX.

O Rio de Janeiro, a “Cidade Paraíso”, poderia com certeza fazer os imigrantes europeus sonharem ao ouvirem sobre a cidade. Mas o chegar ao Porto à realidade era outra, o “Paraíso” se revela com as doenças e pestes. No ano de 1895 um navio vindo da Itália com 337 tripulantes ao chegar ao Porto do Rio de Janeiro, possuiu o número de 237 mortes por conta de uma contaminação de febre amarela. A seguir duas versões da imagem que a época denotava a odisseia dos imigrantes:






As situações faziam com outros países da América do Sul, fizessem campanhas contra a vinda os europeus para o Brasil como os argentinos que indicavam o Brasil como um foco de doenças e epidemias, como demonstra a imagem a seguir:



A cidade cheia de atrativos para a morte, as doenças e o medo dos estrangeiros, precisaria ser ajustada aos modelos civilizatórios do mundo onde já não cabiam espaços para cortiços e até mesmo uma “Pequena África” (nos bairros da Saúde e Gamboa). Medidas urbanísticas foram realizadas, como a derrubada de cortiços, e profiláticas marítimas também, como uma melhor definição dos protocolos sanitários para a recepção de navios e imigrantes. A seguir uma caricatura das medidas sanitárias tomadas por Oswaldo Cruz:



Se a capital não era o “Paraíso”, a Ilha das Flores poderia ser vista como tal. Como um refúgio, ainda que passageiro, que possibilitava o primeiro contato com a cultura brasileira. Nada melhor do que aproveitar a natureza e as águas ainda banháveis nessa transição do século!




BIBLIOGRAFIA:

Tumulo dos Estrangeiros In. 1904 - A Revolta da Vacina. A maior Batalha do Rio - Cadernos da Comunicação Série Memória Vol. 16  Ed. Secretaria Especial de Comunicação Social / Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, 2006.

Reforma Urbana e Revolta da Vacina na cidade do Rio de Janeiro. In: DELGADO, Lucilia de Almeida Neves & FERREIRA, Jorge (org). O Brasil Republicano. O tempo do liberalismo excludente. Da Proclamação da Republica a Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira: 2003.





[1] Termo cunhado por E. P. Thompson. THOMPSON, E.P. A formação da classe operária: A árvore da liberdade. 2º ed. Tradução Denise Bottmann, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.

Nenhum comentário:

Postar um comentário